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notícias·por Equipe Endinheirados·21 de junho de 2026·4 min

Irã e EUA negociam em Genebra enquanto Ormuz volta ao radar

Presidente iraniano diz que país não vai ceder direito ao enriquecimento de urânio; Guarda Revolucionária sinaliza fechamento do estreito.

Produzido com auxílio de IA · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 21 de jun. de 2026, 13:30
Irã e EUA negociam em Genebra enquanto Ormuz volta ao radar

Irã e Estados Unidos sentaram à mesa na Suíça neste domingo para mais uma rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano, mas o tom fora da sala de reuniões segue tenso: o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que o país não vai abrir mão do direito de enriquecer urânio, e a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã sinalizou o possível fechamento do Estreito de Ormuz, acusando Washington de descumprir compromissos assumidos nas conversas anteriores.

O que está em jogo nessas negociações

O encontro em Genebra, confirmado pela Exame, faz parte de uma série de rodadas diplomáticas que tentam chegar a um novo acordo para limitar o avanço nuclear iraniano em troca do alívio de sanções econômicas que sufocam a economia do país persa há anos. A lógica é parecida com a do acordo de 2015, o JCPOA, do qual os EUA saíram em 2018 durante o governo Trump.

O problema desta vez é que o Irã chegou às negociações com um nível de enriquecimento de urânio muito mais alto do que tinha em 2015, o que eleva o nível de desconfiança do lado americano e dificulta qualquer acordo rápido.

Pezeshkian disse, segundo o Money Times, que o Irã não pretende desenvolver uma bomba atômica e que está disposto a incluir essa garantia num acordo. Mas deixou claro: o direito de enriquecer urânio em solo iraniano é inegociável. Essa é justamente a linha vermelha que os EUA historicamente relutam em aceitar.

A ameaça de fechar Ormuz é real?

O Estreito de Ormuz é o corredor marítimo por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo negociado no mundo. Fechar ou mesmo restringir o tráfego ali seria como colocar um nó na mangueira de abastecimento global de energia. Toda vez que essa ameaça reaparece, o mercado de petróleo reage com nervosismo.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, o IRGC, é o braço militar que efetivamente teria esse poder. Segundo o Money Times, o grupo sinalizou o fechamento como resposta ao que chamou de quebra de promessa por parte dos Estados Unidos nas negociações em andamento. Não é a primeira vez que essa ameaça aparece, mas o fato de vir durante uma rodada ativa de negociações aumenta a pressão política dos dois lados.

O que aconteceu nas rodadas anteriores

Desde que os EUA saíram do acordo nuclear em 2018, o Irã foi gradualmente abandonando os limites que havia aceito em 2015. O país acelerou o enriquecimento de urânio, instalou centrífugas mais modernas e reduziu a cooperação com inspetores internacionais. Quando conversas foram retomadas nos últimos anos, sempre esbarraram na questão central: os EUA querem que o Irã volte aos limites de 2015; o Irã quer reconhecimento permanente do seu programa.

O encontro na Suíça desta rodada acontece num momento em que os dois lados parecem ter interesse real em chegar a algum entendimento, mas com posições ainda distantes o suficiente para que um acordo rápido seja improvável.

Como isso chega ao bolso de quem está no Brasil

Parece distante, mas não é. O petróleo é precificado em dólar e qualquer turbulência no Oriente Médio tende a empurrar o preço do barril para cima. Quando o petróleo sobe, o custo de produção de combustíveis sobe junto, e a Petrobras enfrenta pressão para repassar isso nas bombas. Gasolina mais cara significa inflação mais alta em cadeia, porque frete fica mais caro, produto no mercado fica mais caro, e o Banco Central pode ter menos espaço para reduzir os juros.

Analistas do mercado brasileiro, segundo o Seu Dinheiro, já apontavam que o conflito no Oriente Médio é um dos fatores que deve manter pressão sobre a inflação nos próximos meses, mesmo com a taxa Selic (a taxa básica de juros do Brasil, definida pelo Banco Central) em trajetória de cortes.

Nas próximas semanas, o que vale observar é se a rodada na Suíça produz algum comunicado conjunto ou se as negociações travam novamente na questão do urânio. Qualquer sinal de escalada, como um incidente real no Estreito de Ormuz, deve movimentar o dólar e o preço do petróleo de forma bastante imediata.

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