Influencers que divulgarem apostas ilegais vão pagar a conta
Governo federal anuncia que criadores de conteúdo que promoverem bets fora da lei serão responsabilizados tributariamente.

Influenciadores digitais que fizerem propaganda de plataformas de apostas esportivas ilegais no Brasil passam a ser responsabilizados tributariamente pelo governo federal. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (19) e representa uma mudança de postura das autoridades num mercado que cresceu de forma acelerada e desordenada nos últimos anos.
O que o governo anunciou, exatamente
A lógica é simples: se um criador de conteúdo divulga nas redes sociais uma plataforma de apostas que não está autorizada a operar no Brasil, ele pode ser tratado como parte do esquema. Segundo o governo federal, isso inclui responsabilidade tributária, ou seja, o influencer pode ser chamado a responder pelas obrigações fiscais ligadas àquela operação ilegal.
Não é punição simbólica. Responsabilidade tributária significa que o criador de conteúdo pode ser acionado para pagar impostos não recolhidos e responder por eventuais irregularidades fiscais da empresa que ele promoveu. Na prática, é como se ele tivesse entrado de sócio na bagunça.
Por que o governo foi nessa direção
O mercado de apostas esportivas, popularmente chamado de 'bets', virou um negócio gigante no Brasil em pouco tempo. Com a regulamentação ainda sendo estruturada, abriu-se espaço para que plataformas ilegais operassem livremente, muitas vezes usando influenciadores com milhões de seguidores para ganhar credibilidade.
O problema é que, até agora, a responsabilidade recaía quase que exclusivamente sobre as plataformas. O influencer ficava numa zona cinzenta: divulgava, embolsava a grana do publi e, se a empresa sumia ou era fechada, não havia muito o que fazer contra ele. Esse modelo, ao que parece, chegou ao fim.
Não é a primeira vez que o país tenta colocar ordem no setor. A regulamentação das bets legais, sob supervisão do Ministério da Fazenda, começou a ser implementada recentemente, exigindo licenciamento, controle de publicidade e proteção ao consumidor. Mas enquanto as empresas legais se enquadram, as ilegais continuam operando nas sombras, e precisam de alguém para anunciar seus produtos.
Quem está no centro disso
Os maiores alvos potenciais são criadores de conteúdo com audiência expressiva nas redes sociais, especialmente no Instagram, TikTok e YouTube. Alguns nomes do esporte e do entretenimento já foram associados publicamente a plataformas de apostas, legais e ilegais.
Os riscos para quem continuar topando esses contratos sem verificar a legalidade da plataforma são consideráveis. Veja o que pode acontecer:
- ✓Responsabilização tributária pelas obrigações fiscais da empresa ilegal que foi promovida
- ✓Exposição a investigações e ações administrativas dos órgãos de fiscalização
- ✓Possível devolução dos valores recebidos pelos contratos de publicidade
- ✓Dano à reputação perante marcas e parceiros comerciais legítimos
Como isso chega até você
Pode parecer que essa é uma briga entre o governo e os famosos, mas o impacto vai além. Boa parte das vítimas do mercado ilegal de apostas são pessoas de baixa e média renda que foram atraídas por plataformas divulgadas por influencers de confiança, investiram dinheiro real e não tiveram acesso a mecanismos de proteção quando as coisas deram errado.
Plataformas ilegais não têm obrigação de devolver dinheiro, não passam por auditoria, não seguem regras de proteção ao apostador e somem quando conveniente. Quem fica com o prejuízo é o usuário comum que entrou acreditando na recomendação do influencer favorito.
A medida do governo, portanto, tem um efeito direto no ecossistema: se o criador de conteúdo passar a ter skin in the game, ou seja, risco real caso promova uma plataforma irregular, a tendência é que ele passe a checar melhor quem está contratando. Isso reduz, ao menos em teoria, o alcance das operações ilegais.
O que observar nos próximos meses é se o governo vai além do anúncio e apresenta casos concretos de responsabilização. Medidas como essa perdem força rapidamente se ficam só no discurso.
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