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notícias·por Equipe Endinheirados·19 de junho de 2026·6 min

SoftBank recua da América Latina e mira IA com bilhões no bolso

Grupo japonês que investiu US$ 8 bi na região durante o boom de startups agora foca em inteligência artificial com poucos alvos disponíveis.

Produzido com auxílio de IA · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 19 de jun. de 2026, 15:30
SoftBank vende fatia da Nvidia por US$ 5,8 bilhões para reposicionar foco  em IA
Foto: Foto: Bloomberg Linea · Unsplash

O SoftBank, um dos maiores fundos de tecnologia do mundo, está reduzindo as apostas na América Latina. O grupo japonês, que chegou a fechar US$ 8 bilhões em fundos dedicados à região durante o auge do mercado de startups, agora concentra as fichas em inteligência artificial e tem poucos alvos disponíveis na região para esse novo ciclo, segundo a InvestNews.

US$ 8 bilhões e o que ficou desse boom

Entre 2019 e 2022, o SoftBank inundou a América Latina com dinheiro. Nomes como QuintoAndar, Creditas, MadeiraMadeira, Rappi e VTEX receberam cheques enormes do grupo. Era a era de ouro do venture capital (o modelo de investimento em startups jovens com alto potencial de crescimento), quando dinheiro barato e otimismo com o digital faziam qualquer planilha parecer promissora.

Aí veio o baque. O aumento dos juros nos EUA e no Brasil encareceu o crédito, secou o apetite por risco e derrubou as avaliações de mercado de praticamente todas essas empresas. Várias startups que receberam capital do SoftBank cortaram equipes, mudaram modelos de negócio ou simplesmente pararam de crescer no ritmo prometido.

O grupo japonês não foi o único a se machucar, mas foi um dos que mais apostou. E agora está recalibrando.

Por que a IA virou o novo foco

A inteligência artificial passou a concentrar a maior parte do capital de risco global. O SoftBank, liderado por Masayoshi Son, já declarou publicamente que a IA é a aposta central do grupo para os próximos anos. O problema é que as empresas de IA de maior potencial na América Latina ainda são poucas e, em sua maioria, pequenas demais para receber os cheques grandes que o SoftBank costuma assinar.

O fundo tem preferência por empresas em estágio avançado, que já provaram o modelo e precisam de capital para escalar. No ecossistema latino-americano de IA, esse perfil de empresa ainda é raro. A região está mais no começo dessa jornada do que nos EUA ou na Ásia.

O que isso significa para startups brasileiras

Na prática, menos SoftBank na região significa um ambiente de captação mais competitivo para quem está crescendo por aqui. Mas não é o fim do mundo.

Outros fundos seguem ativos no Brasil, como Kaszek, Monashees, Canary e brazões locais do mercado de venture capital. Além disso, o próprio ciclo de juros pode ajudar: se as taxas caírem mais nos próximos trimestres, o dinheiro externo tende a voltar a buscar retorno em mercados emergentes.

O que muda é o perfil do investidor disponível. Com o SoftBank mais seletivo e focado em IA, startups de outros setores que dependiam desse tipo de cheque grande precisam diversificar as fontes de capital ou crescer com mais eficiência antes de captar.

O impacto no ecossistema de tecnologia do Brasil

O Brasil é o maior mercado de startups da América Latina, então qualquer movimento de um player do tamanho do SoftBank tem peso. Quando o grupo entrou forte na região, ajudou a inflar avaliações e acelerar um ciclo de contratações e expansão. Quando saiu parcialmente, o ajuste foi doloroso para muita gente.

Esse novo recuo não é uma fuga, mas é um redirecionamento claro. Para quem trabalha no setor, o recado é que o capital abundante e paciente daquele período não vai voltar tão cedo. As startups que sobreviveram ao inverno agora precisam mostrar que conseguem crescer de forma sustentável, não apenas com cheques externos.

Fique de olho em quais empresas brasileiras de IA conseguirão atrair o interesse do SoftBank nos próximos meses. Se o grupo começar a assinar contratos por aqui nesse novo ciclo, é sinal de que o ecossistema local de inteligência artificial amadureceu o suficiente para entrar no radar global.

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