Dólar sobe a R$ 5,17 e Ibovespa cai após Copom deixar Selic em aberto
Câmbio avançou 1,30% na quinta-feira após decisão do Banco Central e impasse no acordo entre EUA e Irã mexer com o mercado global.

O dólar fechou a R$ 5,1740 na quinta-feira (18), com alta de 1,30% no dia, chegando a bater R$ 5,1897 na máxima. Ao mesmo tempo, o Ibovespa (o principal índice da bolsa brasileira, que reúne as ações mais negociadas do país) encerrou o pregão em queda modesta. A combinação dos dois movimentos reflete um mercado claramente incomodado com dois fatores: a postura do Banco Central brasileiro na reunião do Copom e o adiamento das negociações entre Estados Unidos e Irã.
O que o Copom fez de diferente dessa vez
O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) é o grupo responsável por definir a taxa Selic, que é basicamente o juro básico de toda a economia brasileira. Na prática, a Selic influencia desde o rendimento do seu Tesouro Direto até a parcela do financiamento do carro. Na reunião desta semana, o comitê deixou em aberto os próximos passos da política de juros, sem sinalizar claramente se vai subir, manter ou cortar a taxa nas próximas reuniões.
Esse tipo de postura é lida pelo mercado como 'leniente com a inflação', segundo aponta o Investing.com. Em outras palavras: os investidores interpretaram a mensagem como uma espécie de 'vamos ver o que acontece', o que gera incerteza. E mercado financeiro não gosta de incerteza.
A reação foi imediata: a curva de juros (um termômetro que indica o que o mercado espera para as taxas no futuro) ficou mais inclinada, o que tecnicamente significa que os investidores estão precificando juros mais altos no longo prazo do que no curto. Traduzindo: quem empresta dinheiro pro Brasil por mais tempo está exigindo um prêmio maior por isso.
O fator externo que complicou tudo
Como se não bastasse a confusão doméstica, o cenário lá fora também ajudou a estressar o câmbio. As negociações entre os Estados Unidos e o Irã sobre um acordo nuclear, que estavam marcadas para acontecer na Suíça nesta sexta-feira (19), foram adiadas sem data confirmada, de acordo com a InfoMoney.
Por que isso importa pra quem está no Brasil? Porque tensões geopolíticas envolvendo o Oriente Médio afetam diretamente o preço do petróleo e a percepção global de risco. Quando o risco sobe lá fora, os investidores tendem a tirar dinheiro de países emergentes como o Brasil e colocar em ativos considerados 'seguros', como o dólar americano. Resultado: dólar sobe aqui.
É aquele efeito dominó clássico: uma reunião que não acontece na Suíça acaba pesando no bolso de quem foi ao mercado no Brasil.
Como o mercado encerrou a semana
O Ibovespa fechou a semana em meio a um ambiente de baixa liquidez, com feriados tanto na China quanto nos Estados Unidos, o que reduziu o volume de negócios globalmente, segundo o Money Times. Menos dinheiro circulando no sistema significa movimentos mais abruptos, já que qualquer venda ou compra grande tem um impacto proporcionalmente maior nos preços.
Os principais pontos que estavam no radar dos investidores ao longo da semana foram:
- ✓A decisão do Copom de deixar os próximos passos da Selic sem definição clara
- O adiamento das negociações entre EUA e Irã, aumentando a incerteza geopolítica
- Os dados de vendas no varejo do Reino Unido, que também influenciam o humor global
- A curva de juros brasileira se inclinando, sinalizando expectativa de juros altos por mais tempo
O que isso muda no seu bolso
Dólar mais alto significa importados mais caros: desde o iPhone até ingredientes de alimentos industrializados que vêm de fora. A inflação, que já é motivo de preocupação para o Banco Central, tende a receber pressão adicional quando o câmbio sobe.
Do lado dos investimentos, a incerteza com a Selic é uma faca de dois gumes. Para quem tem dinheiro na renda fixa atrelada ao CDI (como CDBs de bancos ou o Tesouro Selic), a notícia é razoavelmente boa: juros mais altos por mais tempo rendem mais. Mas para quem está na bolsa ou pensando em pegar crédito, o cenário complica.
O que observar nas próximas semanas é a comunicação do Banco Central. O mercado vai tentar decifrar qualquer fala de diretores do BC em busca de pistas sobre o próximo movimento da Selic. Por ora, o jogo está aberto.
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