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notícias·por Equipe Endinheirados·18 de junho de 2026·6 min

Morgan Stanley aposta em Selic a 15% após Copom deixar próximos passos em aberto

BC cortou a Selic para 14,25% ao ano, mas comunicado ambíguo fez dólar subir 1% e banco americano projetar nova alta nos juros.

Produzido com auxílio de IA · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 18 de jun. de 2026, 15:30
Após Copom, juros de curto prazo devem saltar para 15%, aposta Morgan  Stanley
Foto: Foto: InfoMoney · Unsplash

O Banco Central do Brasil cortou a taxa Selic (a taxa básica de juros do país, que influencia tudo, do financiamento do carro ao rendimento do seu CDB) em 0,25 ponto percentual, levando-a para 14,25% ao ano. Mas o comunicado que veio junto ao anúncio foi suficientemente ambíguo para colocar o mercado em modo de alerta: ninguém sabe ao certo o que o BC vai fazer nas próximas reuniões, e o Morgan Stanley já tem uma resposta na manga: 15%.

O que o Copom disse, exatamente?

A decisão em si era esperada. O que pegou o mercado de surpresa foi o texto do comunicado, descrito por analistas como cheio de sinais divergentes. De um lado, o BC validou o corte de 0,25 ponto. De outro, deixou a porta aberta para qualquer direção nos próximos meses, sem sinalizar claramente se vai continuar cortando, pausar ou eventualmente voltar a subir.

É como se o médico dissesse que você melhorou, mas não confirmasse se vai ter alta do hospital. Gera incerteza. E mercado financeiro com incerteza é mercado que reage.

A reação imediata foi o dólar subindo cerca de 1% no dia, segundo a InfoMoney. O Ibovespa (o principal índice da Bolsa de Valores brasileira) chegou a esboçar uma alta, mas viu esse movimento ser limitado pela queda das commodities (matérias-primas como petróleo e minério de ferro, que têm peso enorme nas ações de empresas como Petrobras e Vale) e pela própria leitura cautelosa do comunicado do Copom.

A aposta do Morgan Stanley: juros subindo de novo

O banco americano Morgan Stanley foi direto ao ponto: segundo projeção divulgada após a decisão do Copom, os juros de curto prazo no Brasil devem saltar para 15% ao ano. A instituição aposta que o BC vai pausar o ciclo de cortes já na reunião de agosto e que qualquer nova queda nos juros depende de um fator político bem específico: pesquisas eleitorais que mostrem compromisso real com ajuste fiscal por parte dos candidatos.

Na prática, o Morgan Stanley está dizendo que a política monetária brasileira virou refém do calendário eleitoral e da percepção de risco fiscal do país. Não é exatamente uma surpresa, mas ver um banco com esse peso colocando isso em preto e branco chama atenção.

Por que o dólar sobe quando o BC age assim?

Quando o Banco Central corta juros sem deixar claro que vai continuar cortando, o investidor estrangeiro fica em dúvida se o Brasil ainda é um bom destino para seu dinheiro. Juros altos atraem capital externo (quem aplica aqui ganha mais), mas a incerteza afasta. Com menos dólares entrando no país, a moeda americana sobe em relação ao real.

Além disso, o Federal Reserve (o banco central americano) também tomou decisões recentes sobre os juros nos EUA, criando um cenário em que os investidores globais estão recalibrando onde colocar o dinheiro. O resultado dessa equação é um real mais fraco.

O que muda no bolso de quem não investe na Bolsa

Mesmo quem nunca comprou uma ação na vida sente o efeito disso em casa. A Selic mais alta por mais tempo significa que:

  • O crédito fica mais caro: financiamento de carro, empréstimo pessoal, cartão de crédito e até o financiamento do imóvel costumam acompanhar os juros básicos com algum atraso.
  • A renda fixa continua atraente: quem tem dinheiro em Tesouro Direto, CDB (Certificado de Depósito Bancário, tipo uma poupança que rende mais) ou fundos DI vai continuar vendo rendimentos elevados enquanto a Selic não cair de forma consistente.
  • O dólar mais alto encarece importados: eletrônicos, remédios com componentes importados, passagens aéreas internacionais e até alguns alimentos processados tendem a ficar mais caros quando o real perde valor.

O que observar nos próximos meses

A próxima reunião do Copom, em agosto, virou o evento mais importante do calendário financeiro brasileiro para o segundo semestre. Se o banco central confirmar a pausa projetada pelo Morgan Stanley, o mercado vai reler o comunicado de agora com outros olhos, entendendo que o ciclo de cortes foi suspenso mais cedo do que se esperava. Se o BC surpreender e cortar de novo, parte da tensão atual se dissipa. O que ninguém está apostando, pelo menos por enquanto, é que a Selic caia de forma rápida e consistente em 2026.

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