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notícias·por Equipe Endinheirados·18 de junho de 2026·6 min

IPCA+8%: onde investir na renda fixa após corte da Selic

Com juro real entre os mais altos da história, especialistas apontam Tesouro IPCA+ como aposta sólida e pedem cautela nos prefixados.

Produzido com auxílio de IA · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 18 de jun. de 2026, 12:30
Deixar IPCA+8% de lado jamais”: onde investir na renda fixa após corte da  Selic?
Foto: Foto: InfoMoney · Unsplash

O Copom cortou a Selic (a taxa básica de juros do Brasil, definida pelo Banco Central) para 14,25% ao ano, e muita gente ficou se perguntando: com o juro caindo, ainda vale a pena ficar na renda fixa? A resposta que especialistas ouvidos pela InfoMoney dão é sim, com destaque especial para o Tesouro IPCA+, título público que paga a inflação mais uma taxa fixa ao ano, hoje na casa dos 8% reais.

Juro real de 8%: o que isso significa na prática

Juro real é o que sobra do rendimento depois de descontar a inflação. Se a inflação fica em torno de 5% ao ano e o título rende IPCA+8%, o investidor embolsa, na prática, 8% acima da perda do poder de compra. Para ter ideia do que isso representa: é um dos patamares mais altos já registrados na história recente do país. Muitos países desenvolvidos sonham com juro real positivo de qualquer magnitude, ainda que seja 1% ou 2%.

Não é exagero dizer que esse nível de retorno real é raro. O próprio título é negociado no Tesouro Direto, plataforma do governo federal, acessível a partir de cerca de R$ 30.

O que especialistas recomendam agora

De acordo com a InfoMoney, a orientação dos especialistas consultados tem dois eixos bem definidos:

  • Tesouro IPCA+ com vencimentos longos (acima de 2030): indicado para quem quer travar uma rentabilidade elevada por muitos anos e tem tolerância a ver o preço do título oscilar no curto prazo, o que acontece bastante com papéis longos.
  • Tesouro IPCA+ com vencimentos intermediários (2026 a 2029): opção mais tranquila para quem não quer dormir mal se o mercado turbinar, mantendo proteção contra a inflação e um juro real ainda bastante atrativo.
  • Prefixados (títulos que travam uma taxa nominal fixa, sem correção pela inflação): o tom aqui é de cautela. Se a inflação subir além do esperado nos próximos anos, quem travou numa taxa fixa pode sair perdendo poder de compra sem nem perceber.

Por que o prefixado preocupa agora

A lógica é simples: o prefixado funciona bem quando o investidor acredita que a inflação vai ficar baixa e sob controle. O problema é que, com o Fed (o banco central americano) sinalizando que pode manter juros altos nos Estados Unidos por mais tempo, o dólar tende a pressionar o câmbio no Brasil. Dólar caro encarece importação, importação cara pressiona preços, e aí a inflação pode surpreender pra cima. Quem travou o rendimento num prefixado não tem proteção automática contra esse risco.

Isso não significa que prefixado é um mau negócio em qualquer cenário. Significa que, hoje, o nível de incerteza é alto o suficiente para os especialistas preferirem a proteção do IPCA+.

O sinal do mercado: dólar sobe e Ibovespa hesita

O ambiente desta sessão reforça o pano de fundo: o dólar subiu ante o real após as decisões do Fed e do Copom, segundo a InfoMoney, e o Ibovespa Futuro operou em queda com cautela em relação aos próximos passos dos juros nos EUA. Esse movimento mostra que o mercado ainda está digerindo o sinal do Banco Central brasileiro e tentando entender se o ciclo de cortes da Selic chegou ao fim ou se há mais reduções à frente.

Enquanto essa dúvida existir, títulos que protegem contra a inflação tendem a ser tratados como porto seguro por boa parte dos investidores.

O que isso muda no seu bolso

Se você tem dinheiro parado na poupança (que rende menos do que a Selic quando a taxa está acima de 8,5% ao ano, como é o caso agora) ou em algum CDB (Certificado de Depósito Bancário, título emitido por bancos) de banco grande que mal paga 80% do CDI, vale muito a pena comparar com o Tesouro IPCA+. O acesso é simples: qualquer corretora ou banco com plataforma de investimentos permite a compra direto no Tesouro Direto, sem taxa de custódia na maioria dos casos.

O ponto de atenção é o imposto de renda, que no Tesouro Direto segue a tabela regressiva: começa em 22,5% para resgates em menos de 6 meses e cai até 15% para quem fica com o papel por mais de 2 anos. Quem tem horizonte longo sai na vantagem. No curto prazo, a mordida do IR pode reduzir a atratividade.

O próximo movimento a acompanhar é a próxima reunião do Copom e qualquer dado de inflação que saia antes disso. Se o IPCA (índice oficial de inflação do Brasil) surpreender pra cima, a conversa sobre novos cortes na Selic esfria, e os títulos IPCA+ ficam ainda mais interessantes. Se a inflação ceder, aí abre-se espaço para discutir se o prefixado volta a fazer sentido.

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