IPOs de SpaceX, OpenAI e Anthropic podem faltar compradores
Listagens que somam quase US$ 4 trilhões em valor de mercado preocupam Wall Street; analistas alertam sobre riscos que roadshows podem não mostrar.

O que está acontecendo
SpaceX, OpenAI e Anthropic estão entre as empresas mais aguardadas para abrir capital nos mercados americanos. Juntas, as três companhias podem adicionar quase US$ 4 trilhões em valor de mercado às bolsas dos Estados Unidos em um intervalo curto de tempo — um volume sem precedentes desde a bolha das empresas de internet, nos anos 2000, segundo análise publicada pela InfoMoney.
O entusiasmo é grande, mas a pergunta que começa a circular entre analistas de Wall Street é direta: vai haver compradores suficientes para absorver tudo isso?
O risco que pode ficar fora do roadshow
Empresas que planejam abrir capital costumam apresentar aos investidores a chamada 'tese de investimento' — basicamente, o argumento de por que vale a pena comprar aquelas ações. No caso de companhias ligadas à inteligência artificial, como OpenAI e Anthropic, e de empresas de tecnologia avançada como a SpaceX, os valuations chegam à casa do trilhão de dólares.
Analistas ouvidos pela InfoMoney alertam, porém, que a receita real gerada pelo setor de inteligência artificial pode estar longe do destaque nos materiais de apresentação aos investidores. Em outras palavras, há uma distância que pode ser significativa entre o entusiasmo projetado nos roadshows e os números concretos de faturamento dessas empresas hoje.
O risco do volume sem precedentes
Além da discussão sobre os fundamentos de cada empresa, há uma preocupação estrutural: o simples tamanho das ofertas. Quando muitas ações de alto valor chegam ao mercado ao mesmo tempo, existe o risco de que a demanda dos investidores não acompanhe a oferta. Isso pode pressionar os preços para baixo logo após as estreias, prejudicando quem comprou nos primeiros dias.
A comparação com a bolha das pontocom não é feita à toa. No início dos anos 2000, diversas empresas de internet abriram capital com valuations elevados e pouca receita comprovada. Muitas viram suas ações despencar meses depois. Analistas de mercado não afirmam que o mesmo vai acontecer agora, mas usam o episódio como referência de cautela.
O que isso tem a ver com o investidor brasileiro
Diretamente, o investidor pessoa física no Brasil não costuma participar de IPOs americanos com facilidade. Mas os efeitos chegam de forma indireta: fundos de investimento, ETFs globais e ações de empresas de tecnologia listadas aqui no Brasil tendem a ser influenciados pelo humor do mercado americano.
Se os IPOs forem bem, o otimismo com o setor de tecnologia e inteligência artificial pode se espalhar. Se houver frustração, a cautela também tende a se refletir nos portfólios de quem investe em ativos globais por aqui.
Até o momento, nenhuma das três empresas confirmou data oficial para suas respectivas estreias nas bolsas.
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