IGP-10 cai em junho e surpreende mercado com deflação
Índice recuou em junho, contrariando projeção de alta de 0,34%. Queda veio dos preços ao produtor, puxada por café e combustíveis.

O IGP-10 (Índice Geral de Preços com coleta entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês atual) registrou queda em junho, segundo a FGV, contrariando a expectativa do mercado, que apostava numa alta de 0,34%. O resultado negativo foi puxado pelo IPA-10, o subíndice que mede os preços no atacado, antes de o produto chegar ao consumidor final.
Por que o índice caiu quando todo mundo esperava alta?
O IPA-10 (Índice de Preços ao Produtor Amplo, que rastreia o que as empresas pagam por insumos e matérias-primas) recuou 0,71% no mês, segundo a FGV. Esse número arrastou o IGP-10 pra baixo sozinho. Os vilões do recuo foram dois produtos que todo brasileiro conhece bem: o café e os combustíveis, que registraram quedas expressivas nos preços no atacado.
Vale lembrar que o IGP-10 funciona como um termômetro antecipado da inflação. Ele capta os preços ainda na fase de produção e distribuição, antes de tudo chegar ao supermercado ou ao posto de gasolina. Quando ele cai, existe uma chance real de que, nas próximas semanas, os preços ao consumidor também arrefeçam.
O café e o combustível no centro do movimento
O café era um dos maiores responsáveis pela pressão inflacionária dos últimos meses. A commodity (produto básico negociado em bolsas globais, como o café, o petróleo e o milho) vinha num ciclo de alta que se refletia diretamente no preço do cafezinho e do pacote no supermercado. Uma reversão nesse patamar, ainda que pontual, é relevante.
Combustíveis também puxaram o índice pra baixo. O preço do petróleo no mercado internacional afeta diretamente o custo de produção de praticamente tudo que você consome, porque quase tudo no Brasil é transportado por caminhão. Quando o combustível cai no atacado, existe pressão pra que essa redução apareça mais à frente nas bombas e nas prateleiras.
Nenhuma dessas quedas garante que o alívio vai durar. Commodities são conhecidas por oscilarem rápido com notícias externas, variação cambial e choques climáticos.
Um passo atrás: o que é o IGP-10 e por que ele importa
O Brasil tem vários índices de inflação, o que pode confundir quem tá começando a acompanhar o assunto. O IPCA é o mais famoso porque é o índice oficial, usado pelo Banco Central para calibrar a taxa Selic (a taxa básica de juros do país). O IGP-10, calculado pela FGV, tem uma lógica diferente: ele inclui os preços ao produtor, à construção civil e ao consumidor numa mesma cesta, dando uma visão mais ampla da cadeia de preços.
Alguns contratos de aluguel no Brasil ainda são corrigidos pelo IGP-M, que é primo do IGP-10 e calculado com metodologia parecida. Então, quando qualquer índice da família IGP desanda pra baixo, quem paga aluguel tende a respirar com mais facilidade na hora do reajuste.
O que observar a partir de agora
Os dados chegam numa semana decisiva: o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central, que decide o nível da Selic) se reúne em breve. Os índices de inflação entram diretamente nessa equação. Uma surpresa desinflacionária como essa pode reforçar a percepção de que a pressão de preços está arrefecendo, mas um único dado não muda trajetória.
Os pontos que valem atenção nos próximos dias e semanas são:
- ✓Como o IPCA de junho vai se comportar, já que é o índice oficial da inflação ao consumidor
- ✓Se a queda do café e dos combustíveis no atacado vai ou não chegar ao consumidor final no varejo
- ✓A decisão do Copom sobre a Selic e como os membros vão interpretar esse dado mais benigno de inflação
- ✓O comportamento do câmbio, que influencia diretamente o preço das commodities negociadas em dólar
Um mês de deflação no atacado não significa que a inflação acabou. Mas é, pelo menos, uma pausa bem-vinda num cenário que vinha exigindo bastante do bolso do brasileiro.
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Fontes
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