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notícias·por Equipe Endinheirados·20 de junho de 2026·6 min

Petrobras aprova US$ 1,2 bi para produzir combustível de avião renovável

Estatal dá sinal verde para planta de bioquerosene de aviação e diesel renovável na Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão (SP).

Produzido com auxílio de IA · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 20 de jun. de 2026, 09:30
Petrobras aprova US$ 1,2 bi para combustível sustentável | SBT News
Foto: Foto: SBT News · Unsplash

A Petrobras aprovou a decisão final de investimentos do projeto RPBC Biorrefino: US$ 1,2 bilhão para instalar uma planta dedicada à produção de bioquerosene de aviação (bioQAV) e diesel renovável na Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão, no litoral de São Paulo. Segundo a Money Times, a sigla FID (Final Investment Decision) significa que a empresa travou o compromisso formal com o projeto, ou seja, o dinheiro sai do papel.

O que é bioQAV e por que o setor aéreo tá de olho nisso

O bioquerosene de aviação é, em termos simples, o equivalente ao combustível de avião convencional, mas produzido a partir de matérias-primas de origem biológica: gorduras vegetais, óleos residuais, resíduos agroindustriais. A diferença que importa é a pegada de carbono: queimado num motor de turbina, o bioQAV pode emitir até 80% menos CO2 do que o querosene fóssil, dependendo da matéria-prima e do processo usado.

Pra aviação, que é notoriamente um dos setores mais difíceis de descarbonizar, isso não é pouca coisa. Não dá pra colocar bateria num Boeing 737 por enquanto.

Por que a Petrobras está entrando nessa agora

A Petrobras não chegou nesse projeto por acaso. A União Europeia já exige uma mistura mínima de bioQAV em voos que partem de seus aeroportos, e essa exigência cresce progressivamente até 2050. Nos Estados Unidos, incentivos fiscais bilionários do Inflation Reduction Act tornaram o combustível renovável financeiramente atraente. O mercado global começa a precificar o custo de não se adaptar.

No Brasil, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Ministério de Minas e Energia já vinham desenhando marcos regulatórios para estimular o setor. Dentro desse contexto, a Petrobras se posiciona como ofertante doméstico num mercado que hoje depende quase que inteiramente de importações para as poucas operações com bioQAV que já acontecem no país.

Há também uma lógica de portfólio. A estatal tem metas públicas de redução de emissões e vem sendo cobrada por investidores institucionais a mostrar onde o dinheiro vai no chamado ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança corporativa). Um projeto de biorrefino de US$ 1,2 bilhão responde a essa cobrança com um número concreto.

O que vai acontecer na refinaria de Cubatão

A Refinaria Presidente Bernardes, a RPBC, fica em Cubatão e é uma das mais antigas da Petrobras, operando desde os anos 1950. A planta nova não substitui a estrutura existente: ela será instalada como uma unidade dedicada dentro do complexo, processando matérias-primas renováveis em paralelo às operações convencionais.

Os principais produtos previstos são:

  • bioQAV, o combustível sustentável de aviação, destinado principalmente a companhias aéreas que precisam cumprir metas de emissão
  • diesel renovável, também chamado de HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), que pode ser misturado ao diesel comum nos motores de caminhões e ônibus sem adaptação
  • possíveis subprodutos de nafta renovável, que alimentam a indústria petroquímica

O prazo para a planta entrar em operação não foi detalhado no anúncio oficial, mas projetos desse porte costumam levar de quatro a seis anos entre a aprovação e a primeira produção comercial.

O que isso mexe no bolso de quem não trabalha com refinaria

Diretamente, nada muda agora. O bioQAV ainda é mais caro do que o querosene convencional, e as companhias aéreas repassam esse custo para as passagens quando são obrigadas a usá-lo. A expectativa do setor é que o aumento de oferta, ao longo dos próximos anos, ajude a comprimir esse diferencial de preço.

Para o acionista da Petrobras (PETR4), o movimento é um sinal de que a empresa está tentando se adaptar às exigências de descarbonização sem abandonar o modelo de refino que já domina. O tamanho do investimento, US$ 1,2 bilhão, equivale a cerca de R$ 6,5 bilhões no câmbio atual, é relevante mas está dentro da capacidade de alocação da companhia.

O próximo passo a acompanhar é a divulgação do cronograma de obras e da estratégia de abastecimento de matéria-prima: de onde vem o óleo vegetal ou o resíduo agroindustrial que vai alimentar a planta vai determinar boa parte do custo final do produto e do real impacto ambiental da operação.

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