Otimismo com Ibovespa despenca: só 31% dos gestores vê bolsa acima de 190 mil pontos
Sondagem do BofA mostra recuo expressivo no otimismo com a bolsa brasileira, enquanto expectativas para câmbio e juros também pioraram.

Só 31% dos gestores de investimentos ouvidos pelo Bank of America acredita que o Ibovespa (o principal índice da bolsa brasileira, que mede o desempenho das ações mais negociadas na B3) vai superar os 190 mil pontos nos próximos meses. Segundo a sondagem de junho do banco americano, divulgada pela InfoMoney, esse número representa uma queda expressiva no otimismo com a bolsa do Brasil, e o pessimismo não parou por aí: as perspectivas para o câmbio e para a taxa de juros também pioraram.
Um passo atrás: de onde viemos
Não faz tanto tempo assim que o Ibovespa era tratado como o queridinho dos mercados emergentes. No começo do ciclo de alta de juros nos EUA, muita gente ainda apostava que a bolsa brasileira encontraria seu caminho. Fundos de ações captaram bem, analistas projetavam metas generosas, e o índice chegou a operar bem acima dos 130 mil pontos com certa esperança de voo maior. A virada de humor aconteceu de forma gradual, mas ficou clara quando o cenário fiscal interno voltou a pesar e a incerteza com os juros locais voltou ao centro do debate.
Agora o Ibovespa voltou a trabalhar abaixo dos 170 mil pontos, segundo a Investing.com, pressionado por papéis pesados como a Petrobras. O recado dos gestores na sondagem do BofA é bem direto: a euforia passou.
Por que o otimismo caiu tanto?
A resposta tem pelo menos três camadas. Primeiro, o cenário de juros no Brasil continua difícil. A taxa Selic (a taxa básica de juros do Brasil, definida pelo Banco Central, que serve de referência para todo o sistema financeiro) segue em nível elevado, o que torna a renda fixa mais atraente e a bolsa menos competitiva. Se você consegue ganhar bem deixando dinheiro no Tesouro Direto com risco quase zero, a lógica de correr risco em ações precisa ser muito convincente para fazer sentido.
Segundo, as expectativas para o câmbio se deterioraram. Um dólar mais caro pressiona a inflação, complica o planejamento das empresas que importam insumos e reduz a confiança dos investidores estrangeiros na hora de alocar capital aqui.
Terceiro, o ambiente externo ajudou a embaralhar as cartas. O acordo entre EUA e Irã movimentou os preços do petróleo e criou incerteza sobre o próximo passo do Federal Reserve (o banco central americano), o que afeta diretamente o apetite global por ativos de risco como ações de países emergentes, incluindo o Brasil.
O que os números da sondagem revelam
A pesquisa do BofA é um termômetro útil porque reúne a visão de quem realmente coloca dinheiro no mercado, não só opiniões de mesa. Veja o que o levantamento de junho mostrou:
- ✓Apenas 31% dos gestores projeta o Ibovespa acima de 190 mil pontos, número que era bem maior em rodadas anteriores da pesquisa.
- ✓As expectativas para o câmbio pioraram, indicando que mais gestores esperam um real mais fraco do que o previsto antes.
- ✓As projeções para a taxa de juros também se deterioraram, com menos gestores apostando em cortes rápidos da Selic.
- ✓O conjunto do cenário indica um mercado que está, por enquanto, preferindo cautela a aposta.
O que o Ibovespa abaixo de 170 mil significa na prática
Se você tem dinheiro investido em fundos de ações, previdência privada com perfil arrojado ou ações diretas na bolsa, esse ambiente pesa no seu extrato. Não é alarmismo: é só o efeito direto de um índice que não consegue manter o fôlego. Pra quem ainda não entrou na bolsa, o argumento dos otimistas é que preços menores representam oportunidade. Só que 69% dos gestores ouvidos pelo BofA, pelo menos por ora, não estão tão convictos assim.
Quem tem perfil mais conservador e deixou dinheiro na renda fixa provavelmente está vendo rentabilidades melhores justamente por causa da Selic alta. O que é uma ironia interessante: os mesmos juros que sufocam a bolsa são os que recompensam quem ficou de fora dela.
O que vale observar daqui pra frente é a combinação entre os próximos sinais do Copom (o comitê do Banco Central que define a Selic), a evolução do câmbio e qualquer mudança no humor externo com os EUA. São esses três fatores que vão dizer se o otimismo dos gestores continua caindo ou começa, finalmente, a virar.
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Fontes
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