Copa do Mundo 2026: qual setor fatura R$ 2,4 bi com o torneio
Especialistas apontam segmento blindado contra juros altos com crescimento de 15,7% sobre a Copa de 2022, chegando a R$ 2,42 bilhões.

Enquanto o Brasil se prepara para a Copa do Mundo de 2026, um setor específico da economia já está comemorando antes mesmo da bola rolar: segundo especialistas ouvidos pelo Seu Dinheiro, o segmento de alimentação fora do lar deve faturar R$ 2,42 bilhões apenas em junho e julho, crescimento de 15,7% em relação ao mesmo período da Copa de 2022.
O setor que a Selic não consegue derrubar
O detalhe que chama atenção é a resistência desse mercado ao cenário de juros elevados. Enquanto setores como imóveis, varejo de eletrodomésticos e crédito ao consumidor sentem o peso da Selic (a taxa básica de juros do Brasil, hoje em 14,25% ao ano) sobre o bolso da população, bares, restaurantes, lanchonetes e delivery seguem surfando numa onda própria. A Copa funciona como um catalisador fora do calendário normal de consumo: ela cria ocasiões de compra que simplesmente não existiriam de outra forma.
Num cenário em que o crédito está caro e o brasileiro pensa duas vezes antes de parcelar uma TV nova, ele não pensa tanto assim antes de pedir uma pizza pra assistir ao jogo.
O que explica esse crescimento de 15,7%
A comparação com 2022 é interessante porque aquela Copa, realizada no Catar, aconteceu em novembro e dezembro, num horário que deslocou bastante o consumo brasileiro. Jogos no meio da tarde e no início da noite em dias úteis reduziram o movimento em bares e a reunião de amigos em casa. Agora, com a Copa de 2026 nos Estados Unidos, Canadá e México, o fuso horário muda tudo: os jogos tendem a acontecer em horários mais compatíveis com a rotina brasileira, o que deve elevar diretamente o consumo de alimentos e bebidas em pontos físicos e via aplicativos.
Os fatores que especialistas citam para explicar a projeção incluem:
- ✓Fuso horário favorável ao consumo noturno e nos finais de semana, com jogos em horários mais acessíveis para o público brasileiro
- ✓Aumento do consumo em bares e restaurantes durante transmissões ao vivo, que tende a ser superior ao consumo em casa
- ✓Crescimento consolidado do delivery nos últimos anos, ampliando o alcance do setor para quem prefere assistir no conforto do lar
- ✓Inflação dos alimentos em patamares menores do que em 2022, o que dá um pouco mais de fôlego ao consumidor na hora de pedir aquela cerveja extra
- ✓Expansão do número de estabelecimentos no país desde a última Copa, com mais pontos de venda para capturar a demanda
Uma Copa de carnes e rankings
Tem mais uma camada nessa história. O G1 reportou que cortes brasileiros como fraldinha e alcatra conquistaram o primeiro e segundo lugar no ranking do TasteAtlas dos melhores pratos com carne bovina do mundo, numa espécie de Copa das Carnes paralela. Isso não é só curiosidade gastronômica: é reputação que movimenta pedidos, exportações e, claro, o consumo interno num momento em que o país está com as atenções voltadas pro futebol.
O que isso tem a ver com o seu bolso
Se você trabalha no setor de alimentação, seja como dono de bar, funcionário de restaurante ou entregador de aplicativo, junho e julho prometem ser os meses mais movimentados do semestre. Para quem é consumidor, o lado prático é simples: prepare o orçamento, porque a tentação de pedir delivery a cada jogo do Brasil é matematicamente certa.
Vale lembrar que R$ 2,42 bilhões em dois meses é um número considerável para qualquer setor da economia. Pra ter uma referência: é mais do que o PIB anual de algumas cidades médias brasileiras, concentrado num intervalo de 60 dias. O setor de alimentação fora do lar vai entrar na Copa como um dos maiores beneficiários econômicos do torneio, e os próximos meses vão mostrar se a projeção se confirma ou supera as expectativas.
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