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notícias·por Equipe Endinheirados·15 de junho de 2026·6 min

Brasileira fundou empresa de US$ 22 bi após processar o governo dos EUA

Luana Lopes Lara cofundou a Kalshi, plataforma de mercado preditivo avaliada em US$ 22 bi, após batalha judicial contra reguladores americanos.

Produzido com auxílio de IA · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 15 de jun. de 2026, 09:30
Luana Lara: 'gap educacional' fez governo bloquear Kalshi - 08/06/2026 -  Economia - Folha
Foto: Foto: Folha - UOL · Unsplash

Uma brasileira processou o governo dos Estados Unidos, ganhou na Justiça e, no caminho, construiu uma empresa avaliada em US$ 22 bilhões. Esse é o resumo da trajetória de Luana Lopes Lara, cofundadora da Kalshi, plataforma de mercado preditivo que permite a pessoas comuns apostar dinheiro em eventos do mundo real, como resultados de eleições, decisões econômicas e até fenômenos climáticos. A história foi contada em entrevista exclusiva à InfoMoney.

O que é a Kalshi e por que ela é diferente

Mercado preditivo é um conceito que parece complicado, mas é mais simples do que parece. Imagine uma bolsa de valores, mas em vez de comprar ações de empresas, você compra contratos que apostam em respostas do tipo 'sim ou não' para eventos futuros. 'O Fed (o banco central americano) vai cortar juros em julho?' 'O desemprego nos EUA vai subir acima de 5%?' Você compra a posição que acha correta, e se acertar, embolsa o valor do contrato.

A lógica por trás disso é que, quando dinheiro real está em jogo, as previsões coletivas tendem a ser mais precisas do que pesquisas de opinião ou modelos matemáticos. É o chamado 'wisdom of the crowd', a sabedoria das multidões aplicada com incentivo financeiro de verdade.

A Kalshi foi fundada nos Estados Unidos e opera como uma exchange regulada pela CFTC (a comissão americana que supervisiona mercados de futuros e derivativos, algo parecido com a CVM no Brasil). Mas chegar até aí não foi simples.

A batalha judicial que colocou a Kalshi no mapa

Por anos, reguladores americanos barraram plataformas de mercados preditivos voltadas a eventos políticos e econômicos. A justificativa era que esse tipo de contrato poderia configurar aposta ilegal ou criar conflitos de interesse em processos eleitorais.

A Kalshi não aceitou a negativa e entrou na Justiça contra a CFTC. O processo foi longo, custoso e arriscado, do tipo que pode afundar uma startup antes de ela decolar. A empresa venceu. A decisão judicial abriu caminho para que a plataforma operasse legalmente com contratos sobre eleições e outros eventos de impacto público.

Essa vitória não foi só simbólica. Ela criou um precedente que mudou o mercado inteiro nos EUA e atraiu capital, atenção e concorrentes. A Kalshi saiu da batalha maior do que entrou.

De onde vem Luana Lopes Lara

Luana é brasileira e construiu carreira na intersecção entre tecnologia, finanças e direito. Cofundou a Kalshi ao lado de Tarek Mansour, e os dois conduziram tanto a construção do produto quanto a guerra jurídica que garantiu a sobrevivência da empresa.

A trajetória dela é o tipo de coisa que vira case em faculdade de negócios: uma imigrante brasileira que não só entrou num dos mercados mais regulados e fechados do mundo, como também mudou as regras do jogo na marra, via tribunal.

Não é comum. Startups em geral fogem de reguladores, tentam crescer rápido antes de chamar atenção. A Kalshi fez o oposto: foi de frente, brigou abertamente e usou a vitória judicial como diferencial competitivo.

O que isso tem a ver com o seu dinheiro

Pra maioria dos brasileiros, a Kalshi ainda parece distante, porque opera principalmente nos EUA e em dólares. Mas o crescimento desse mercado aponta para algo que vai chegar por aqui cedo ou tarde: plataformas onde você pode investir com base em previsões sobre eventos econômicos reais, como a próxima decisão do Banco Central sobre a Selic (a taxa básica de juros do Brasil) ou o resultado do PIB no trimestre.

No Brasil, o mercado de apostas financeiras reguladas ainda está engatinhando, mas o modelo da Kalshi mostra que regulação e inovação podem andar juntos, desde que alguém topasse brigar por isso.

Vale ficar de olho em como esse segmento evolui por aqui. Se a experiência americana servir de referência, o próximo passo é ver reguladores brasileiros debatendo se e como permitir produtos parecidos, algo que pode abrir uma nova frente de investimento para quem já está em renda variável e quer diversificar de formas menos convencionais.

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