25 mi de brasileiros apostam ilegalmente e governo mira fintechs e influencers
Ministério da Justiça revelou que 25,2 milhões usam bets ilegais. Governo identificou 37 fintechs envolvidas e ameaça responsabilizar influenciadores.

Vinte e cinco vírgula dois milhões de brasileiros apostam por plataformas ilegais de jogos online. O número foi divulgado nesta sexta-feira pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, e veio acompanhado de um pacote de medidas do governo federal para combater o mercado clandestino que cresceu na esteira da popularização das bets regulamentadas.
O tamanho do problema que poucos imaginavam
Pra ter a dimensão real: 25 milhões de pessoas é mais do que a população inteira do Chile. São brasileiros que todo mês movimentam dinheiro em plataformas que não têm licença, não pagam impostos, não seguem regras de proteção ao consumidor e, segundo o governo, muitas vezes estão conectadas a esquemas de lavagem de dinheiro.
A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, mapeou 350 pessoas por trás da estrutura financeira desses jogos clandestinos, de acordo com o portal Finsiders. Além disso, o governo identificou 37 fintechs diretamente ligadas ao esquema — ou seja, empresas do setor financeiro que estavam processando transações dessas plataformas, funcionando como intermediárias entre o apostador e os operadores ilegais.
Fintech, pra quem não está familiarizado com o termo, é uma empresa de tecnologia financeira: aquelas que oferecem serviços como contas digitais, transferências e pagamentos, mas fora do modelo tradicional dos bancões. Quando uma fintech opera dentro das regras, é saudável pro mercado. Quando ela passa a circular dinheiro de apostas ilegais, vira um problema sério.
Como o Pix entrou nessa história
Não é coincidência que o Pix, o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central (BC), tenha virado a ferramenta preferida dos golpistas nesse contexto. Um estudo recente citado pelo Finsiders mostra avanço das fraudes digitais que exploram exatamente a agilidade do Pix: o dinheiro sai em segundos, é difícil de rastrear em tempo real e não dá pra cancelar depois que a transferência foi feita.
A lógica é simples e perversa: plataformas ilegais anunciam em redes sociais, às vezes com a cara de influenciadores conhecidos, recebem depósitos via Pix e somem, ou simplesmente nunca pagam os ganhos prometidos.
Influenciadores na mira do governo
O governo federal avisou que influenciadores digitais que fizerem propaganda de plataformas de apostas ilegais serão responsabilizados tributariamente. A declaração saiu direto do governo federal nesta sexta-feira, segundo o G1 Economia.
Na prática, isso significa que um criador de conteúdo que postar um link patrocinado de uma bet clandestina pode ser cobrado pelos tributos que aquela plataforma deveria ter recolhido, mas não recolheu. É uma abordagem diferente da simples multa por divulgação irregular: vai direto no bolso de quem lucrou com a audiência.
- ✓O governo identificou 37 fintechs conectadas à estrutura financeira das bets ilegais
- ✓350 pessoas foram mapeadas pela SPA como parte do esquema
- ✓25,2 milhões de brasileiros usam plataformas sem autorização, segundo o ministério da Justiça
- ✓Influenciadores que divulgarem apostas ilegais responderão tributariamente
- ✓O Pix foi apontado como principal ferramenta usada nas fraudes associadas a essas plataformas
O que muda pra quem aposta e pra quem assiste
Se você aposta online, a primeira pergunta que vale fazer é: essa plataforma tem licença da SPA? Sem licença, não há garantia nenhuma de que os ganhos serão pagos, nem proteção legal caso algo dê errado. É literalmente apostar o dinheiro duas vezes: uma no jogo, outra na honestidade de quem opera o site.
Pra quem segue influenciadores que recomendam bets, o cenário muda também. A tendência é que criadores de conteúdo passem a ser mais cuidadosos com o que divulgam, já que o risco de autuação aumentou. Mas o histórico desse tipo de regulação no Brasil sugere que a implementação é sempre mais lenta do que o anúncio.
O governo prometeu apertar o cerco nas próximas semanas. Vale observar se as ações concretas, como bloqueios de domínio, notificações às fintechs envolvidas e autuações de influenciadores, de fato saem do papel ou ficam só na declaração do ministro.
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