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🗞️ A Edição · terça-feira, 09 de junho de 2026

Edição de 09 de junho de 2026

O Irã e Israel pararam de se atacar — por enquanto — e o petróleo respirou. Mas o mercado brasileiro não aproveitou o alívio lá fora: os juros futuros subiram pelo sexto dia seguido e a bolsa chegou ao dia em sobrevenda. Tem coisa importante acontecendo em cadeia, e vale entender por quê.

Leitura de 4 min · 6 assuntos

Termômetro do mercado

Dólar

R$ 5,18

0.00%

Euro

R$ 5,99

0.17%

Bitcoin

R$ 325.819

0.36%

Ibovespa

168.668,72

0.21%

📉Juros

DIs sobem pelo sexto dia seguido e mercado revisa Selic para cima em 2026 e 2027

Quando o mercado de juros futuros sobe seis vezes seguidas, não é ruído — é sinal.

As taxas dos contratos DI voltaram a subir nesta terça-feira, acumulando a sexta sessão consecutiva de alta, num movimento que analistas descrevem como uma reprecificação do ciclo de juros. O relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, trouxe novo ingrediente: economistas elevaram as projeções para a Selic e para a inflação em 2026 e 2027, sinalizando que o mercado deixou de acreditar num corte de juros tão cedo quanto se esperava. A revisão reflete tanto a pressão fiscal doméstica quanto a incerteza global que eleva o prêmio de risco do Brasil.

Para quem tem dívida prefixada ou financiamento atrelado ao CDI, a notícia é direta: o custo do crédito deve permanecer alto por mais tempo do que o projetado. Para investidores, títulos pós-fixados seguem atraentes — e quem estava de olho em CDBs prefixados de longo prazo pode querer esperar um pouco mais antes de travar a taxa.


Economia

Brasil sobrou e faltou energia no mesmo dia — e o problema é estrutural

Imagina o sistema elétrico do país engasgar porque tem energia demais. Pois é, aconteceu.

No domingo de feriado de Corpus Christi, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) enfrentou uma situação inédita: excesso de geração de energia combinado com baixa demanda criou um desequilíbrio perigoso na rede. O fenômeno é, em boa parte, resultado da explosão das placas solares residenciais — que injetam energia no sistema num ritmo que a infraestrutura ainda não está preparada para absorver de forma eficiente. A situação expõe um paradoxo: o Brasil avança na geração renovável, mas a gestão da rede não acompanhou o ritmo.

Esse descompasso tem custo — e ele vai aparecer na sua conta de luz. Quando o sistema é mal gerido, os encargos de regulação e compensação são repassados às tarifas. Além disso, o episódio levanta uma questão regulatória urgente: o modelo de incentivo à geração distribuída precisa ser revisitado antes que o problema se agrave.


🌍Global

Bloqueio no Estreito de Ormuz agrava escassez global de suprimentos

Um gargalo geográfico do tamanho de uma cidade está colocando pressão em hospitais, fazendas e fábricas ao mesmo tempo.

O bloqueio do Estreito de Ormuz — passagem estratégica por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial — está gerando efeitos em cascata na cadeia global de suprimentos, segundo reportagem do InfoMoney. Setores como saúde, agricultura e indústria relatam alta de custos e dificuldade de abastecimento. O movimento vem no contexto da tensão entre Irã e Israel, que anunciaram uma trégua temporária nos ataques mútuos nesta terça, mas sem acordo formal.

Cadeias de suprimentos globais quebradas significam inflação de custos que começa nos portos e termina no preço do que você compra no mercado. Para o Brasil, que exporta commodities e importa insumos industriais, qualquer prolongamento desse bloqueio pressiona tanto o câmbio quanto os índices de preço ao produtor — o IGP-DI, inclusive, é divulgado hoje.


🤖Tecnologia

China planeja US$ 295 bi em data centers para IA — e o Brasil quer surfar essa onda

Quando a China anuncia quase US$ 300 bilhões num setor, o dinheiro inteligente começa a se mover.

Pequim anunciou plano de investir US$ 295 bilhões em data centers voltados para inteligência artificial nos próximos anos, aquecendo ainda mais uma corrida global que já envolve EUA, Europa e — cada vez mais — o Brasil. Por aqui, empresas e bancos enxergam o segmento de data centers para IA como a principal fronteira de investimento em infraestrutura na próxima década, segundo o Brazil Journal. O movimento gerou alta expressiva em ações de empresas do setor como GDS e VNET nas bolsas internacionais.

Para o investidor brasileiro, o tema aparece em dois ângulos: no exterior, ETFs e ações de infraestrutura de IA ganham novo fôlego; no Brasil, o Redata — fundo de recebíveis de data centers — segue sendo aguardado como o veículo local para acessar essa tese. Quem está construindo carteira de longo prazo deveria ter esse setor no radar.


💳Finantech

Asaas lucra 234% a mais e faz sua maior aquisição por R$ 150 milhões

Dois irmãos de Santa Catarina estão construindo silenciosamente uma das fintechs mais lucrativas do país.

A Asaas, fintech de gestão financeira para pequenas empresas fundada pelos irmãos Diego e Rodrigo Villarinho, anunciou sua maior aquisição da história: R$ 150 milhões investidos em uma empresa cujo nome ainda não foi divulgado, com foco na aceleração do uso de inteligência artificial. O movimento vem depois de a companhia registrar alta de 234% no lucro líquido e mira um faturamento bilionário.

A Asaas atende principalmente micro e pequenos empreendedores — um segmento que representa a espinha dorsal da economia informal e formal do Brasil. O avanço da fintech nesse nicho pressiona bancos tradicionais e sinaliza que a disputa por clientes PJ pequenos está se intensificando, com reflexo direto nas tarifas e condições de crédito para esse público.


🚀Bolsa

Clima de IPO da SpaceX aquece Wall Street — mesmo com Nasdaq ainda se recuperando

Pode ser o maior IPO da história, e os analistas já estão escolhendo as ações que vão surfar junto.

O mercado americano abre esta terça em alta, com os futuros do Dow Jones em recuperação puxados pelo setor de tecnologia e inteligência artificial. O pano de fundo é o possível IPO da SpaceX, que agita o ambiente das bolsas americanas e empurra o apetite por ações do setor — mesmo após o Nasdaq ter caído 4% na sexta-feira. Analistas ouvidos pelo InfoMoney mantêm visão construtiva para ações americanas e apontam papéis que tendem a se beneficiar do clima de euforia tecnológica.

Para o investidor brasileiro com exposição ao exterior — seja via BDRs, fundos internacionais ou ETFs —, o momento pede atenção: o IPO da SpaceX pode tanto ampliar o apetite por risco quanto criar uma bolha pontual em valuations do setor. Diversificação e horizonte de prazo são, como sempre, os maiores aliados nesse tipo de momento.


Com juros subindo, bolsa pressionada e a crise energética batendo na porta de casa, o próximo dado a monitorar é o IGP-DI de hoje — porque inflação que parece distante costuma aparecer na conta antes do que a gente espera.

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