Ibovespa cai 1,64% na semana enquanto Wall Street sobe
Fed duro, petróleo em queda e Braskem despencando 17% derrubaram a bolsa brasileira enquanto mercados americanos avançaram.

O Ibovespa (o principal índice da bolsa brasileira, que reúne as ações mais negociadas do país) encerrou a semana com queda de 1,64%, fechando a última sessão aos 168.333,61 pontos. Do outro lado do Atlântico, Wall Street subia. Não é bem o que se espera quando o clima global melhorou um pouco, mas o Brasil teve seus próprios problemas pra resolver.
O que derrubou a bolsa brasileira
Dois fatores pesaram bastante, segundo o Seu Dinheiro. O primeiro foi o tom duro do Fed, o banco central americano, que sinalizou que não tem pressa em cortar juros nos Estados Unidos. Quando os juros americanos ficam altos por mais tempo, o dinheiro dos investidores internacionais tende a ficar por lá, onde o retorno é mais seguro. Sobra menos apetite pra apostar em mercados emergentes como o Brasil.
O segundo fator foi a queda do petróleo. E, num país onde a Petrobras tem peso enorme no Ibovespa, isso importa. Petróleo mais barato significa receita menor pra petroleiras, e investidores já antecipam isso no preço das ações.
Braskem: o tombo da semana
Se a semana foi ruim pra bolsa como um todo, pra Braskem (BRKM5) foi um desastre. A petroquímica liderou as perdas do Ibovespa com uma queda de 17% em apenas cinco dias, de acordo com o Money Times. Isso num cenário em que a empresa já carrega um histórico pesado de dívidas e ainda enfrenta riscos judiciais ligados ao afundamento de terrenos em Maceió, situação que arrasta a companhia há anos e que volta e meia reacende o medo dos investidores.
Uma queda de 17% numa semana é muito. Pra ter uma ideia, é como se uma ação que valia R$ 100 na segunda-feira fechasse a sexta em R$ 83. Investidores que tinham Braskem na carteira sentiram no bolso.
A exceção: Embraer brilhou no meio do caos
Nem tudo foi baixa. A Embraer foi destaque positivo na semana, segundo o Seu Dinheiro. A fabricante de aviões tem surfado uma demanda global aquecida por aeronaves regionais e executivas, e segue como uma das histórias mais elogiadas da bolsa brasileira no ciclo recente. Em semanas de pressão geral como essa, ações que têm fundamentos sólidos e receita em dólar tendem a se destacar justamente por isso.
Saúde pode ser o próximo capítulo
A XP Investimentos apontou o setor de saúde como um dos mais descontados da bolsa hoje. Segundo analistas da corretora, citados pelo Seu Dinheiro, as ações do setor negociam com um desconto de cerca de 40% em relação à média histórica. Em linguagem simples: estão baratas perto do que costumavam valer. A corretora elegeu duas ações favoritas do setor pra quem quiser tentar aproveitar essa janela, mas não divulgou os nomes publicamente na manchete.
Setores que estão fora do radar dos investidores em momentos de pressão às vezes oferecem as melhores oportunidades justamente porque todo mundo olha pra outro lado. Essa é a lógica por trás da aposta da XP, ainda que o momento de entrada dependa do perfil e da paciência de cada um.
O que essa semana diz sobre o seu investimento
Se você tem dinheiro na renda variável (ações, fundos de ações, ETFs que seguem o Ibovespa), a semana foi mais um lembrete de que bolsa oscila, e que o Brasil oscila ainda mais quando o exterior aperta.
Os principais pontos que pesaram sobre o mercado e que vale acompanhar nas próximas semanas:
- ✓Decisões do Fed sobre juros americanos, que afetam diretamente o fluxo de capital estrangeiro pra cá
- ✓Preço do petróleo, que puxa Petrobras e, por consequência, o Ibovespa inteiro
- ✓Situação financeira e jurídica da Braskem, que pode ter novos capítulos com o passivo de Maceió
- ✓Setor de saúde, que analistas apontam como descontado e com potencial de recuperação
Pra quem investe a longo prazo, semanas como essa costumam parecer mais dramáticas do que são. Pra quem está de olho no curto prazo, fica o aviso: o mercado brasileiro ainda tem muitos ventos contrários no radar.
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