💰
Endinheirados
notícias·por Equipe Endinheirados·17 de junho de 2026·6 min

Gestora perdeu US$ 50 bi apostando em software e ignorando Nvidia

Polen Capital subestimou o boom dos chips de IA e pagou caro: metade do patrimônio e boa parte da base de clientes evaporou.

Produzido com auxílio de IA · fontes verificadaspolítica editorial| Publicado em 17 de jun. de 2026, 15:30
Michael Burry, famoso por prever a crise imobiliária de 2008, apostou cerca  de US$ 1 bilhão contra o atual boom das ações de inteligência artificial.  Sua gestora, Scion Asset Management, revelou grandes
Foto: Foto: Instagram · Unsplash

A Polen Capital, gestora americana com décadas de história e reputação construída em cima de ações de tecnologia, perdeu aproximadamente US$ 50 bilhões em ativos sob gestão depois de fazer uma aposta que, no papel, parecia razoável: ignorar os chips de inteligência artificial e concentrar o portfólio em empresas de software. O problema é que o mercado foi exatamente na direção oposta, de acordo com a InfoMoney.

A lógica que fazia sentido, até não fazer mais

O raciocínio da Polen não era absurdo. A gestora acreditava que o dinheiro de verdade na onda de IA estaria nas empresas que usam a tecnologia para vender produtos e serviços, ou seja, o software. Chips são commodities, a ideia era essa: quem constrói a estrada raramente fica rico; quem abre o pedágio sim. Só que a Nvidia não virou apenas uma construtora de estradas. Ela virou o monopólio de fato da infraestrutura de IA, e o mercado precificou isso com uma ferocidade que poucos anteciparam.

Enquanto isso, as ações de software que a Polen privilegiava demoraram mais do que o esperado para traduzir o boom da IA em receita real. O resultado foi um descompasso brutal: Nvidia subiu centenas por cento, e o portfólio da gestora ficou para trás.

A perda de US$ 50 bilhões em ativos sob gestão, vale esclarecer, não significa que a gestora perdeu esse dinheiro do próprio bolso. Ativos sob gestão é o total de recursos que os clientes colocaram nos fundos da Polen. Quando esse número cai, significa que os fundos perderam valor e que investidores saíram, levando o dinheiro embora. Os dois aconteceram ao mesmo tempo.

O que a Nvidia representa que a gestora subestimou

A Nvidia fabrica GPUs, que são processadores especializados em fazer cálculos em paralelo, exatamente o que os modelos de inteligência artificial precisam para treinar e rodar. Pense assim: treinar um modelo de IA grande é como resolver milhões de contas de matemática ao mesmo tempo. O chip convencional de computador faz uma conta por vez, muito rápido. A GPU faz milhões simultaneamente. Sem ela, boa parte do ChatGPT, do Gemini e de tudo mais simplesmente não existiria no ritmo que existe hoje.

Durante anos, a Nvidia vendia esses chips principalmente para gamers e pesquisadores de nicho. Quando a corrida da IA explodiu, as big techs começaram a comprar GPUs em quantidade industrial, e a empresa virou uma das mais valiosas do mundo em questão de meses. A Polen, segundo a InfoMoney, resistiu a entrar nessa posição e pagou o preço.

Quem mais está nessa equação

A história da Polen não é isolada. Outras gestoras e analistas também erraram a mão na aposta de IA, mas a escala da perda chama atenção. US$ 50 bilhões é mais do que o PIB de vários países. E o caso levanta uma pergunta que o mercado ainda está tentando responder: o investimento em infraestrutura de IA, representado pelos chips, vai continuar dominando? Ou o ciclo vai virar para as empresas de software que realmente monetizam a tecnologia no dia a dia?

Nenhuma resposta está fechada. Há gestoras que lucraram muito ficando em Nvidia. Há outras que acreditam que, daqui pra frente, o software vai ter seu momento. O mercado não é um consenso, e a história da Polen mostra como errar o timing, mesmo com uma tese razoável, pode custar caro.

Por dentro dos fundos: o que isso significa pra quem investe

Se você tem dinheiro em fundos de ações que investem no exterior, esse tipo de decisão de gestão impacta diretamente o seu retorno. Fundo de ações é diferente de deixar dinheiro na poupança ou no Tesouro Direto: o desempenho depende das apostas que o gestor faz, e gestores erram. Até os bons.

Isso não é motivo para pânico, mas é motivo para acompanhar. Algumas perguntas que fazem sentido antes de escolher ou manter um fundo de ações no exterior:

  • Qual é a tese do gestor sobre IA e tecnologia?
    - O fundo tem Nvidia ou chips de IA na carteira, ou aposta só em software?
    - Qual foi o desempenho nos últimos 12 e 24 meses comparado ao índice de referência?
    - O gestor explicou publicamente os erros recentes e o que vai mudar?

Nenhuma resposta isolada decide tudo, mas gestor que não explica os erros é sinal de alerta.

O caso da Polen também lembra que diversificação ainda importa. Concentrar tudo em uma única narrativa de mercado, mesmo uma narrativa que soa como certeza, é um risco que os números deixam bem visíveis agora. Nos próximos meses, o mercado vai continuar de olho em como as big techs gastam em infraestrutura de IA e se o software começa a entregar os resultados que a teoria prometia.

Leia também

Compras pré-Copa crescem 30%: onde o brasileiro está gastando

IPC-S desacelera e Tesouro IPCA+ sobe: o que os dados dizem

Copom corta Selic, mas sinal amarelo na inflação ameaça ciclo

Fontes

Termômetro de imparcialidade

Compromisso editorial: notícia sem viés. Como você avalia a cobertura desta matéria?

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu comentário

Sem cadastro. Comentários são moderados; respeite os outros leitores.